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Cantinho do Dirk      
Dirk Niepoort partilha consigo algumas descobertas e
segredos preciosíssimos do mundo dos vinhos.



 
AIA AIA AIA
2009-01-20

 

Solaia, Sassicaia, Ornellaia são alguns dos nomes de uma zona chamada Bolgheri.
É uma bonita zona perto do mediterrâneo, que hoje tem alguma fama devido aos “aias”.

Sempre me fascinou, “negativamente”, o fenómeno Bolgheri, da mesma maneira que Ribeira del Duero. (a diferença é que a Ribeira del Duero tem uma longa historia vitivinícola, não só a de veja Sicília).
São zonas que devido a um (ou dois) produtores se tornaram em zonas da moda.
No caso de Bolgheri terá sido o Marchese Incisa de la Roquetta que com algum dinheiro no bolso e paixão pelos vinhos de Bordéus decidiu plantar Cabernet Sauvignon, os primeiros pés foram plantados nos anos 60, numa propriedade sua. Gostou tanto do resultado que plantou mais e em 1985 fez um grande vinho (o único, no meu entender).
Assim nasceu devagar, com tempo uma estrela chamada Sassicaia.
A partir do sucesso do 1985 apareceram os restantes “aias”, todos copiando uma receita de sucesso: Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc.
Mais ou menos todos apareceram de maneira parecida;
Um investidor (ou vários) com muito dinheiro, foi buscar um enólogo moderno, para construir uma adega pomposa e grande, cheia de técnica moderna e barricas novas com um grande vinho e o seu segundo vinho.
Fiz recentemente uma prova de todos os vinhos de Bolgheri de 2005.
Uma prova cansativa, irritante e frustrante. Quase todos os vinhos iguais; frutados, com madeira a mais, pesados e alcoólicos. Tudo vinhos impressionantes mas que não dão gozo nenhum para beber.
O mesmo aconteceu com Ribeira del Duero. Depois do sucesso do produtor Pesquera (Vega Sicília sempre foi a referencia em Espanha) vários investidores usaram o modelo chapa 5”:

Um investidor (ou vários) com muito dinheiro, foi buscar um enólogo moderno, para construir uma adega pomposa e grande, cheia de técnica moderna e barricas novas com um grande vinho e o seu segundo vinho.
A maior parte também com Cabernet Sauvignon, Merlot e Cabernet Franc mas também respeitando um pouco o tinto fino e claro a outra uva da moda; a Syrah
Plantaram-se centenas de hectares em tudo quanto é sitio (inclusive nos sitio errados).
Resultado: Tudo vinhos impressionantes mas que não dão gozo nenhum para beber.

Os vinhos da Ribera del Duero hoje estão pela rua da amargura e penso que os de Bolgheri por esse caminho vão.
O mais irritante é que se voltarmos atrás 10 anos, muita gente nos estaria a contar duas histórias de sucesso. No entanto, penso que a moda já passou.
Neste mundo da globalização não há duvida que os vinhos estão cada vez mais iguais.
Por isso temos a responsabilidade em Portugal, nomeadamente no Douro de apostar nas nossas raízes, nas nossas tradições (algumas, não todas….seleccionar as boas), nas nossas castas (temos muito que aprender “ a respeita-las e percebe-las) e fazer vinhos com personalidade respeitando as origens.

Assim nascem as empresas de relações públicas e marketing.
Há a necessidade de rapidamente (não através do tempo) dar a conhecer os vinhos que aparecem em grandes quantidades e em modernas adegas. Assim o marketing ganha uma nova dimensão nos nossos tempos. Logo no início do projecto são calculados os custos para a compra de terrenos, plantação, construção da adega, enólogo etc.
Desde o inicio que o preço do vinho é definido e é calculada uma percentagem para uma empresa de marketing.
Independentemente destes casos, com a quantidade de vinhos no mercado (os grandes a serem muito agressivos, etc, etc.) é quase impossível não recorrer a especialistas de marketing.
A ferramenta do marketing é hoje uma componente da produção de vinho…
Aia aia aia – sinónimo de dor?
 

Dirk Niepoort

  
   
   
       




                                                                                             

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