As vindimas já acabaram….
É uma altura frenética, mas devo confessar que com a adega nova tudo é mais suave e mais perfeito. Com muitas uvas, com chuvas, com muitos visitantes (há de tudo). Enfim, uma época de pouco dormir de muitas confusões mas que no entanto quando acaba é sempre triste.
A vindima é o culminar (principalmente para o viticultor) de todo o trabalho de um ano. É o culminar de muitos trabalhos na vinha, sempre dependentes da mãe natureza. A data da vindima (vinha por vinha) é essencial e muito importante, que se planeia de acordo com o respeito final por todo o trabalho. As condições de vindima foram óptimas permitindo uma vindima que evoluiu das zonas mais baixas expostas a sul/poente para as zonas mais altas expostas a norte/nascente.
2008 é um ano especial ( como quase todos ). Poderemos dizer que é um ano totalmente ao contrário de um clássico ano no douro:
- Foi um ano muito húmido com muitas chuvas durante o ano;
- Chuvas durante a floração que causaram algum desavinho;
- Muitos problemas em geral de míldio e principalmente oídio;
- Um verão que durante a vindima se mostrou muito ameno faltando aquele calor intenso habitual no Douro;
- Com noites muitíssimo frias (o que mantém a acidez no vinho);
- Uma primeira chuva em princípios de Setembro na altura certa e uma chuva na segunda parte de Setembro a não cair no momento certo mas a parar mesmo no momento em que poderia ter causado um grande desastre (se tivesse chovido mais dois dias teria sido uma catástrofe);
- E, finalmente um ano perfeito para os tipos de vinhos que a Niepoort gosta de fazer. Fizemos pois vinhos de muito boa concentração (o facto de as produções em geral serem muito pequenas, leva-me a pensar que no Douro terá havido quebras de 30 %), baixos graus de álcool e no entanto acidezes fantásticas.
Em termos de castas:
A Tinta Roriz, sem excesso de produção, mostrou muita consistência na estrutura de taninos, sendo uma das primeiras a maturar.
A Tinta Amarela, quando plantada em zonas mais secas, mostrou grande frescura e elegância.
A Touriga Nacional, com uma maturação mais lenta e uniforme, mostrou-se mais equilibrada e sem a sua exuberância aromática, o que para nós é positivo.
A Touriga Franca, a casta mais plantada em toda a região Douro, mostrou sempre grande elegância e frescura.
Finalmente, por incrível que pareça parece me ser um grande ano para vinho do porto. Cores extraordinárias, vinhos intensos ricos (mas sem sobrematuraçao), de uma rara beleza e elegância e com taninos firmes e fortes. A vindima em Vale de Mendiz funcionou incrivelmente bem. Também para o Charme parece ser um fantástico ano. Os brancos são perfeitos e mostram um equilíbrio exemplar, grande vivacidade e com fermentações muito regulares que realçam a frescura aromática do ano.
A natureza deu-nos do melhor, agora, está nas nossas mãos nada estragar.
Dirk Niepoort