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Cantinho do Dirk      
Dirk Niepoort partilha consigo algumas descobertas e
segredos preciosíssimos do mundo dos vinhos.



 
Jantar Niepoort Projectos - A apresentação
2008-10-24

Foi no Sábado, dia 11 de Outubro, que recebi em minha casa um rol de convivas, onde se incluíam os sorteados entre todos os que se registaram no site dos Projectos Niepoort, que iriam fazer parte da “apresentação” do projecto e dos seus vinhos integrantes.

Embora ainda apenas tivesse na ideia o que queria fazer, já tinha pensado em algumas surpresas vínicas com que iria presentear os que comparecessem. Peguei em alguns vinhos raros, que apenas em ocasiões muito especiais posso pensar em abrir e tomei a providências de já estarem fisicamente em minha casa.
Eram 16h quando finalmente, e após uma breve ida à mercearia, comecei a delinear as iguarias que iria servir aos meus convidados.
Carne Maronesa, Robalos e Chévre eram os principais condimentos para a refeição que iria confeccionar para os cerca de 20 participantes.
 
Assim continuei mais ou menos concentrado em dar o meu melhor na cozinha, ao mesmo tempo em que pensava na ordem por que iria servir os vinhos. Curiosamente por esta altura já sentia também o bichinho do futebol, da nossa Selecção, a despertar em mim. Entretanto chegava alguma ajuda. A minha mãe trazia o seu fantástico bolo de chocolate, responsável por inúmeras memória de pequeno, quais flashes, me passavam pela cabeça. Mostrou-se disponível para ajudar, ao mesmo tempo que “namorava” umas garrafas de Robustus 2004.
De repente, lembrei-me de um pormenor importantíssimo. A preparação do primeiro vinho que iria ser servido, requeria, por alguns instantes, toda a minha atenção. Era o nosso Vintage de 1945. Apressei-me a decantá-lo para que evoluísse e se tornasse naquele fantástico vinho a que sempre estive habituado. Para muitos dos que iriam estar presentes, esta seria provavelmente a primeira, e a ultima, vez que estariam perante este vinho.

Chegava a hora de iniciar a noite. Esperava pelos convidados apesar de manter uma concentração quase total no triste jogo da nossa Selecção Nacional. Entre algumas curiosidades que abria para premiar os mais pontuais, ia dando uma vista de olhos na comida que ainda iam necessitar da minha atenção.
Acabado o jogo e já com a presença de todos os convidados, fomos servindo os Projectos Riesling 2006 e 2007, para abrir o apetite.
Já com todos sentados, tive um dos momentos mais gratificantes da noite. Esse momento foi quando servimos o Vintage 45, que foi o primeiro vinho da ceia e que acompanhava um chévre no forno com compota de tomate, e todos os presentes mostraram um solene respeito pelo vinho que estava a ser servido. Se há momentos de beleza no vinho, este foi um deles.
Enquanto que os Rielings 2004, 2006, 2007 e ainda o Redoma Reserva 2005 acompanhavam o Robalo, já eu estava a preparar os pratos de carne e os vinhos tintos que brevemente iriam para a mesa.
 
Rapidamente chegou a vez dos tintos. Iniciamos, a acompanhar um estufado de carne, o Robustus 90 e 2004, que obviamente centraram toda a atenção dos presentes, no vinho. Era quase um lado a lado, sem que o vinho em si os unisse, a não ser pelo nome. O Robustus 90 mostrou mais uma vez que se encontra de perfeita saúde e pronto para enfrentar muitos anos vindouros. O 2004 por outro lado mostrava toda a tradição que nele quis incutir, o sabor a Douro estava ali bem patente. Estou muito contente com ele.
Mas ainda a noite era uma criança e ainda faltava o Lombo de Maronesa, e com ele, o novo vinho Voyeur 2006. Quer na altura da vinda dos Robustus para a mesa, quer agora na apresentação deste vinho, estive um pouco à conversa, aproveitando para descansar da cozinha, com os presentes, tentando dar a minha visão dos vinhos que estavam a beber. No caso do Voyeur, o meu amigo João Noutel teve também direito a uma intervenção informativa, uma vez que foi ele quem desenhou o fantástico rótulo do vinho.
Nos entretantos, ia-se bebendo também o Projectos Pinot Noir 2006.

Chegava a altura da sobremesa, do bolo de chocolate da minha Mãe, do pão-de-ló da Paula e também de um regresso à tradição dos Moscatéis Niepoort. Com estes doces servimos o nosso Projectos Moscatel, que é um moscatel do ano 2000, apesar de não ostentar o ano de colheita no rótulo. Deu-se muito bem com os doces que se apresntaram, graças a uma acidez e a uma frescura que considero serem características deste vinho.

A noite já ia longa, quando perto das 2h demos por terminada a noite. Foi para mim uma fantástica noite, uma noite calma, serena em que realmente o vinho foi o actor principal e todos nós espectadores atentos e interessados nos seus ensinamentos. Espero que todos os presentes partilhem desta minha opinião, de ter sido uma noite memorável.

Um abraço a todos e o meu sincero agradecimento,

Dirk van der Niepoort

 

  
   
   
       




                                                                                             

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